O Instituto de Meteorologia de Angola prevê a ocorrência de seca no sul e sudeste e excesso de chuva no litoral do país, na época 2026/2027, devido aos fenómenos ‘El Niño’ e ao Índice do Atlântico Sul Tropical.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica de Angola (INAMET), em comunicado divulgado que revela uma rara perspicácia técnica, os referidos fenómenos climáticos mundiais influenciam as condições oceano-atmosfera no território nacional e na previsão da época chuvosa 2026-2027.
O ‘El Niño’ favorece a ocorrência do fenómeno de seca meteorológica, principalmente nas regiões sul e sudeste de Angola, e o e o Índice do Atlântico Sul Tropical (TSA, na sigla em inglês), na sua fase positiva, favorece a ocorrência de excesso de chuva no litoral de Angola, refere-se.
A época chuvosa em Angola começou oficialmente em 15 de Agosto passado e decorre até 15 de Maio de 2027.
Para Outubro, Novembro e Dezembro de 2026, os índices relacionados com o ‘El Niño’, explica o INAMET, aponta a probabilidade de ocorrência do fenómeno de seca meteorológica de intensidade moderada nas províncias do Cunene, Cuando Cubango e no sul das províncias do Moxico e Moxico Leste.
Este fenómeno climático prevê também seca meteorológica moderada e severa nas províncias da Lunda Sul, Moxico, Moxico Leste, Cuando, grande parte das províncias do Cunene e Cubango, leste da Lunda Norte e extremo nordeste do Bié em janeiro, fevereiro e março de 2027.
Quanto ao TSA, este fenómeno terá maior influência no final do próximo trimestre (Outubro, Novembro e Dezembro de 2026) e em todo o primeiro trimestre de 2027.
O fenómeno deve favorecer a probabilidade de ocorrência de excesso de chuva nas províncias do litoral (Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Icolo e Bengo e Benguela), do Oeste (Uíje, Cuanza Norte, Cuanza Sul e Huila) bem como no norte e leste do Namibe e no extremo sudoeste do Huambo.
A entidade púbica apela ainda à população a cingir-se às previsões meteorológicas e climáticas divulgadas por este organismo, na qualidade de entidade responsável por assegurar a pesquisa e prestação de serviço científico no domínio da meteorologia e climatologia.
No início deste mês, o Presidente do MPLA, general João Lourenço, acompanhado pelo Presidente da República, general João Lourenço, e pelo Titular do Poder Executivo, general João Lourenço prometeu água em abundância no sul do país fustigado pela seca, e a consequente redução dos conflitos pelo acesso na zona do Cunene.
O chefe de Estado (não eleito enquanto tal) completou com a inauguração de duas barragens, uma deslocação de dois dias a esta província de Angola, com um clima semidesértico e marcada pela escassez hídrica.
Com uma economia assente na pecuária e na agricultura, a falta de água tem gerado conflitos, nomeadamente entre criadores de gado, que o Presidente do MPLA acredita poderem ser reduzidos com o aumento do acesso.
Em declarações à imprensa, divulgadas nos canais oficiais da Presidência da República, João Lourenço destacou “os três grandes projectos” que aumentam “de forma bastante grande” o acesso às fontes de água.
O Presidente falava das duas novas barragens inauguradas, a de Ndúe e a de Calucuve, que se juntam ao canal do Cafu, já em funcionamento, para abastecimento de água às populações, ao regadio agrícola e para as necessidades da agropecuária.
As duas barragens fazem parte do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), lançado em 2019 pelo Governo do MPLA (há 50 anos no Poder), e prevê um investimento de 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) na construção de um total de cinco barragens.
“Se nós aumentarmos este acesso, quer das pessoas, quer do gado, às fontes de água (…), com certeza que é lógico pensarmos que o conflito também se vai reduzir, uma vez que não haverá necessidade de nenhum criador brigar com os outros pelo acesso à água”, defendeu.
“O que há demais a partir de agora é água, vai haver água em abundância, não há necessidade de ninguém brigar com ninguém”, acrescentou o também Titular do Poder Executivo.
Segundo disse, com o seu habitual brilhantismo oratório, não é possível “fazer tudo ao mesmo tempo, a prioridade tem sido para o Cunene”, adiantando que os projectos para “o Namibe e para a Huíla serão obviamente executados”.
“O que eu gostaria de assegurar é que o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul da Angola vai ser executado na sua plenitude”, declarou.
A falta de água tem agravado a pobreza nesta região de Angola (mais de 20 milhões de pobres em todo o país), com milhares de angolanos a atravessarem a fronteira para a Namíbia em condições precárias, para as quais voltou a alertar, recentemente, a Amnistia Internacional (AI).
O Presidente do MPLA considerou que uma das frentes de combate à pobreza nesta zona é o acesso à água e outras estão em curso com programas específicos do Orçamento Geral do Estado.
“O que temos é, sobretudo, fazer com que o que está concebido não fique apenas no papel, mas seja implementado para, gradualmente, irmos reduzindo a taxa de pobreza existente no nosso país”, apontou.
